Cemitério de Salinas faz 102 anos

Cemitério foi construído em 1909.

O atual cemitério de Salinas está localizado no centro da cidade em terreno doado por Dona Ana Maria de Araújo, no dia 15 de fevereiro de 1858, início da segunda metade do século XIX, quando Salinas ainda era distrito de Rio Pardo. Entretanto, o cemitério somente foi construído em 1909 a mando dos políticos mandatários Virgìlio Avelino Grão Mogol e João Porfírio Machado. Até então os mortos eram enterrados ao lado de igreja que ficava edificada em terreno onde está localizada a atual Escola Estadual Dr. João Porfírio, em frente à antiga praça do mercado velho. O cemitério de Salinas não comporta mais novos sepultamentos. Ainda assim precisa ser preservado pois grande parte de sua história está ali enterrada. Preservar a memória dos mortos é preservar a própria história.

Família salinense

(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa/Apolo Heringer)

O livro Octacilíada: Uma Odisséia do Norte de Minas, de autoria de Abdênago Lisboa/Apolo Heringer, possui incríveis imagens antigas de famílias salinenses da primeira metade do século XX.

A imagem acima é uma raridade. Trata-se de um grupo de salinenses vendo-se o padre Jerônimo Lambin com Clemente Medrado de uma lado e André Fernandes Costa do outro. Ao lado deste está Antônio Corsino. O menino Deusdedit está assentado na cadeira. Dona Salu está ao lado de Dona Lau. Odete está atrás de André Costa. Ao lado dela está Maria Lúcia Brant. À esquerda e à frente de João Costa está Lera, mulher de José Miranda. Severina R. Medrado, filha do Coronel Idalino Ribeiro, está ao lado de Clemente Medrado. Osmany Ribeiro é o menino de mãos cruzadas atrás. Nair Sarmento ao lado de Dona Ciranda. Juraci Costa, atrás de Dona Ciranda. Dr. Djalma Oliveira, atrás de João Costa. Lera de José Miranda ao lado de Dona Ciranda. Dervina Oliveira, atrás de Osmany. Eurípedes de Placidina, ao lado de João Costa. Lindaura Almeida ao lado de Dona Laudelina Chaves Ribeiro. Carlota Chaves junto de Dona Salu, atrás da viga. Maria Lúcia atrás de Antônio Corsino. Dalva Oliveira, filha de Dr. Luiz, perto de Antônio Corsino, com a mão na trave. Aurentina, filha de Miro, ao lado. Zoroastro Medrado é o menino ao lado do Osmany e atrás do Deusdedit.

Octacilíada

O raro livro “Octacilíada: Uma odisséia do Norte de Minas”, de autoria do salinense Abdênago Lisboa (1916-1977) foi lançado em 1992 pelo filho Apolo Heringer Lisboa. Aborda a história da região de Salinas e seus costumes desde os tempos do Império (século XIX) até meados da década de 1970 (século XX). O livro possui, ainda, diversas árvores genealógicas de famílias salinenses e de outras regiões do Norte de Minas. Recomendo leitura a todo salinense que queira conhecer um pouco a história de sua terra… imperdível. O livro merece nova edição pelo seu valor histórico e cultural. O autor Abdênago Lisboa, além de pesquisador, escritor e poeta, foi o primeiro diretor da Escola Agrícola de Salinas.

Falece produtor da cachaça Teixeirinha

Faleceu em Montes Claros, dia 29/06/2011, aos 79 anos, o produtor da antiga cachaça Teixeirinha, Felismino Teixeira Costa. Natural de Salinas, nasceu no dia 23/04/1932, filho de Paulo Teixeira Costa e Josefa Maria do Rosário. Separado de Carlota Auxiliadora Brito, deixou os filhos Felismino Teixeira Costa Filho, Geraldo Cesar Costa, Maria Auxiliadora Costa, e Paulo Raimundo Costa. Foi enterrado no cemitério municipal de Salinas no dia 30/06/2011. O blog História de Salinas externa condolências à família pela enorme perda.

Município de Salinas foi criado há 130 anos

Antiga praça do mercado velho de Salinas.

Por Roberto Carlos Morais Santiago
Há 130 anos, no dia 18 de dezembro de 1880, foi criado o município de Salinas. Não é uma data qualquer para Salinas, muito pelo contrário, é a  mais importante em toda sua história desde 1790, no final do século XVIII, quando surgiu como povoado.
O município foi criado pela Lei Provincial nº. 2.725, de 18 de dezembro de 1880, no final do século XIX, ainda no Reinado de D. Pedro II. A lei foi assinada pelo vice-presidente da província de Minas Gerais, Cônego Joaquim José de Sant’Anna, na então capital Ouro Preto, cujo imenso território foi emancipando de Rio Pardo de Minas.
Infelizmente, data tão importante foi esquecida pelas autoridades do município. Equivocadamente, o município comemora como sendo sua data oficial o dia 04/10/1887 (Lei Provincial nº. 3.485). Não se questiona a importância desta data, pois esta foi somente o reconhecimento da vila de Santo Antônio de  Salinas como cidade. Nesta data, o município já existia, inclusive com instalação de sua 1ª. Câmara Municipal  no dia 18 de janeiro de 1883.
Como povoado, Salinas surgiu por volta de 1790, no final do século XVIII, ainda no período colonial. Considerando o período de surgimento do povoado, Salinas tem hoje 220 anos de história e quase ninguém se dá conta disso. De 1790 a 1833 foi povoado e integrava o município de Minas Novas do Fanado (atual Minas Novas). De 1833 a 1880, foi distrito de Rio Pardo de Minas. De 1880 até os dias atuais como município.
Salinas possui quatro datas importantes na sua história dignas de registro: 1790 (surgimento do povoado),  1880 (criação do município), 1883 (instalação da 1ª. Câmara Municipal) e 1887 (vila elevada a cidade). Somente a última é comemorada oficialmente. De qualquer forma, que fique claro que a data oficial deveria ser 18/12/1880, ou, na pior hipótese, 18/01/1883, data de instalação da 1ª. Câmara Municipal.
Do seio de Salinas foram criados vários municípios ao longo de sua história: Peda Azul (1911), Taiobeiras (1953), Águas Vermelhas (1962), Rubelita (1962), Fruta de Leite (1995), Novorizonte (1995) e Santa Cruz de Salinas (1995).
Figura como principal economia da microrregião de Salinas (Alto Rio Pardo), composta por dezessete municípios. A epopéia do povo salinense é digna de registro. Lembrar o passado salinense é dar o devido valor aos seus antepassados que tanto contribuíram para a Salinas de hoje ser o que é no cenário estadual e nacional, inclusive com o título invejável de Capital Mundial da Cachaça de Alambique. Viva Salinas!
Abaixo texto original da Lei nº. 2.725, de 18/12/1880, que criou o município de Santo Antônio de Salinas (em 1923 o município passou a se chamar somente Salinas – Lei Estadual nº. 843, de 07/09/1923 - tal como é até hoje):
…………….

LEI Nº. 2725, de 18/12/1880
(texto original)
CRIA O MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS
O Cônego Joaquim José de Sant’Anna, Comendador da Ordem de Cristo e Vice-Presidente da Província de Minas Gerais: Faço saber a todos os seus habitantes, que a Assembléia Legislativa Provincial decretou, e eu, sancionei a Lei seguinte:

Art. 1º – Fica elevado à categoria de vila o arraial de Santo Antônio de Salinas, devendo ser a mesma instalada, depois que seus habitantes houverem oferecido à província os edifícios com as acomodações necessárias para câmara, cadeia e escolas de instrução primária.

§ 1º – O município desta vila se comporá das freguesias de Santo Antônio de Salinas, sua sede, e de Água Vermelha, ambas desmembradas do termo do Rio Pardo; ficará pertencendo à comarcado Grão Mogol, e terá todos os ofícios de justiça criados por lei geral.

§ 2º – As divisas da freguesia de Água Vermelha serão asmesmas do antigo distrito deste nome, compreendendo os lugares denominados Catinga e Pajão.

Art. 2º – Ficam revogadas as disposições em contrário.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimentoe execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém.

O Secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr.

Dada no Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais, aos 18 de dezembro de 1880.

Joaquim José de Sant’Anna
Presidente da Província

Primeiro automóvel de Salinas

Por Roberto Carlos Morais Santiago

A imagem acima refere-se a outros automóveis que chegaram a Salinas depois da chegada do primeiro automóvel, vendo-se padre Salustiano assentado no parachoque, o Coronel Idalino Ribeiro de mãos no bolso em pé, e Domingos Português com os braços cruzados e um cigarro de palha entre os dedos, no meio dos dois. Inácio Loyola e Antônio Corsino estão perto deles. José Chaves Ribeiro está, de branco, assentado dentro do primeiro carro chegado a Salinas (à esquerda na foto). Inácio Loyola de perna dobrada sobre o último Ford, O Aníbal de perna cruzada, assentado, ao lado do Cel. Idalino Ribeiro. Nego do Ó, de óculos escuros. João Costa e Balduino estão na borda da foto ao lado direito. Incontestavelmente é uma imagem histórica de Salinas. Um sinal de novos tempos e grandes desafios.

O primeiro automóvel a chegar na capital mineira, Belo Horizonte, foi um modelo Popp-Hart Ford, da empresa Trajano de Medeiros, em 1908, no início do século XX. Era símbolo da modernidade e provocou mudança no cenário urbano da capital mineira.

Em Salinas, Norte de Minas, o primeiro automóvel chegou no dia 16 de junho de 1925. Foi um acontecimento histórico de grande impacto na época. Até então o transporte de mercadorias e pessoas era feito por meio animais e carroças com dificuldades de toda ordem.

O automóvel foi um Ford oriundo de Brejo das Almas (atual município de Francisco Sá). Custou quatro contos de réis adquirido por Domingos Português. Estava com Domingos o seu patrício Anibal.

O vereador Mendo Correia apresentou projeto na Câmara e fez aprovar lei decretando feriado municipal pelo acontecimento histórico.

A chegada do primeiro automóvel em Salinas foi o fim de um ciclo de uma sociedade e economia que não conseguia prosperar pela falta de contato com o mundo exterior em face da enorme dificuldade de locomoção. Até então produtos chegavam por meio de tropas.

O primeiro automóvel em Salinas foi, também, o início de um novo ciclo de desenvolvimento e prosperidade. Em 1928 deu-se início a construção de estrada de rodagem ligando Salinas a Brejo das Almas (atual Francisco Sá). A iniciativa foi do Coronel Idalino Ribeiro (1879-1973), chefe político e Agente Executivo (equivalente ao atual cargo de prefeito) do município. A estrada ficou pronta em 1929.

O governador de Minas, Olegácio Dias Maciel, refez a estrada entre 1931 e 1933. Com a estrada a região de Salinas passou por radical transformação com grande impacto na economia, cultura e sociedade. Verdadeira revolução de costumes graças ao primeiro automóvel em Salinas em 1925, dirigido por Domingo Português e seu patrício Aníbal.

Atualmente, o único veículo remanescente da primeira metade do século XX existente em Salinas é o velho caminhão Chevrolet Lordmaster, ano 1947, de propriedade da família de Anísio Santiago (1912-2002). Encontra-se em excelente estado de conservação na fazenda Havana. O velho caminhão é testemunha de uma época de ouro que se foi no tempo. Restam apenas lembranças dos mais velhos que tiveram o privilégio de viver uma época de deslumbramento.

Literatura de Salinas

 

Literatura de Salinas.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

Infelizmente, existem poucos livros sobre a história de municípios norte-mineiros, muito embora a região seja rica do ponto de vista cultural e histórico. Para quem quiser conhecer um pouco sobre a história de Salinas e região, recomenda-se a leitura dos livros listados abaixo. São raros, mas com um pouco de sorte podem ser encontrados na biblioteca municipal de Salinas. São ótimos livros que contam a história do município de Salinas sob vários ângulos. Vale um esforço para conferir a epopéia histórica de uma região tão rica culturalmente.

  • DIVERSOS AUTORES. Poetas de Salinas – Antologia. Salinas, Academia de Letras de Salinas, 2002.
  • ÂNGELIS, Newton de. Efemérides Riopardenses. Salinas: R&S Arte Gráfica, 1998, 4 volumes.
  • CRUZ, Mário Ribeiro da. Caso contado à sombra do mercado. Ed. Paz e Terra, 1995.
  • LISBOA, Abdênago. LISBOA, Apolo. Octacilíada: Uma Odisséia do Norte de Minas. Belo Horizonte: Canaã, 1992.
  • NEVES, Antonino da Silva. Corografia do Município de Rio Pardo. Belo Horizonte: Minas Geraes, 1908.
  • PIRES, Simeão Ribeiro. Raízes de Minas. Montes Claros, 1979.
  • SANTANA, Geraldo Paulino. O Caminho de Volta – A Travessia do Deserto. Belo Horizonte, 2004.
  • SANTIAGO, Roberto Carlos Morais Santiago. O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago. Belo Horizonte: Cuatiara, 2006.

Xuá Clube Campestre de Salinas

Primeiro clube recreativo de Salinas.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

Década de 1960 – Salinas não possuía clube recreativo. A juventude salinense sentia essa lacuna. Certo dia em uma ensolarada manhã após uma missa na Igreja Matriz de Santo Antônio, os amigos Osvaldo Bernardino, Rafael Daconti e Sérgio Rodrigues se encontraram na farmácia de Osvaldo Bernardino para discutir a ideia de construir um clube na cidade.

O assunto logo percorreu positivamente na sociedade salinense e em pouco tempo foi arrecadado quantia de três milhões de cruzeiros. A primeira tentativa de comprar um terreno foi na Mestiça, mas não deu certo. Posteriormente, foi localizado terreno ideal nas margens do rio Ribeirão de propriedade do fazendeiro Geraldo Loiola. Inicialmente não aceitou vender terreno para construir o clube. Porém, acabou cedendo e fixou o valor do terreno em três milhões de cruzeiros. O negócio foi fechado.

Da ousadia e tenacidade de um grupo de amigos surgiu um clube que faz parte da história de Salinas. Foi inaugurado no dia 15 de agosto de 1966, originalmente com o nome de Ribeirão Campestre Clube. No dia 1º. de setembro do mesmo ano foi rebatizado para Xuá Clube Campestre. Historicamente, o clube tem participação importante na formação cultural, social e esportiva de milhares de salinenses.

Os sócios fundadores do Xuá Clube Campestre de Salinas foram: Sérgio Aberto Rodrigues, Antônio Rafael Daconti, Osvaldo Bernardino, Noé Corrêa, Florisberto Cândido de Oliveira, Fidélis Soares Guimarães, Geraldo Paulino Santanna, Carlos Humberto de Almeida, Délo Bernardino, José Eraldo Corrêa, Fábio Assunção, João Costa, Jair Henrique de Souza, Jaime Cardoso de Araújo, Ivo Miranda de Morais, Geraldo Pereira Borges, Carlos Aloísio Corrêa, José Oraldo Mendes, Dorival Bernardino, Carlos Garcia Mojato, José Joel Ribeiro da Cruz, José Osvaldo Lima Soares, Fábio Freire, José Pacífico Oliveira Neto, Moacir Ribeiro, Antônio Fontenelle Ribeiro, Oscar Cangussú Fernandes, Valdeir Soares Guimarães, Frederico Wilson Bitencourt, Geraldo Costa, Artur Mendes Filho, Rodrigo Magalhães, Lineu Martins, Luiz Gonzaga Martins, Mariano Dias Viana, João de Deus Mendes, Manoel Brito, Noeno Corrêa.

Pioneiros de Salinas

1553 – A história da região de Salinas começa com as primeiras incursões ao interior do Brasil. A expedição de Francisco Bruzza Espinosa saiu de Porto Seguro (Bahia) e teria alcançado a região na travessia do Vale do Jequitinhonha ao do Rio Pardo. Os habitantes nativos eram os índios da nação Maxacali que pertenciam ao grupo dos Tupis-Guaranis.

1790 – No final do século XVIII chegam os primeiros moradores: Faustina Fernandes Pessoa, José Cardoso de Araújo, Padre Bernardino Ferreira da Costa e algumas beatas, oriundos de Rio Pardo, logo após descoberta de sal-gema, produto muito precioso na época devido a sua escassez. Logo aparecem fazendas indicando povoamento definitivo: Bananal (de propriedade de Faustina Fernandes Pessoa), Ribeirão, Gramas, Tabocas, Matrona e Canela D’Elma. Logo surge o arraial de Santo Antônio de Salinas como núcleo urbano em estágio primitivo quando Faustina Fernandes Pessoa faz doação de terreno para construção de capela com a proteção de Santo Antônio. Daí, o nome de Santo Antônio de Salinas. O território pertencia ao município de Minas Novas do Fanado.

Simbolismos da praça Floriano Peixoto

Dois momentos distintos do antigo prédio da cadeia velha: 1922, quando foi construído e 2010, após reforma. Atualmente funciona a Fundação de Cultura de Salinas.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

No dia 24 de julho de 2010, a prefeitura do município de Salinas, norte de Minas Gerais, inaugurou reforma da tradicional praça Floriano Peixoto tendo como epicentro o antigo prédio da cadeia velha onde está instalada a Fundação de Cultura. O imponente prédio foi construído em 1922 e se constitui em um dos prédios antigos mais bem conservados da cidade histórica de Salinas que surgiu por volta de 1790, quando chegaram os primeiros moradores oriundos de Rio Pardo e fundaram o povoado de Santo Antônio de Salinas.

A praça Floriano Peixoto é simbólica para a história de Salinas pois a cidade foi surgindo em torno do local que fica à margem direita do rio Salinas. Com o tempo a cidade foi expandindo morro acima tendo como referência a tradicional praça que ganhou justa e merecida reforma, além de se transformar em centro irradiador da cultura salinense.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.